Jornalista construiu uma carreira de mais de quatro décadas na TV Globo, participou da cobertura dos principais acontecimentos do Brasil e do mundo e revolucionou o telejornalismo matinal com o Bom Dia Brasil.
O jornalismo brasileiro está de luto. Morreu nesta quinta-feira (16), aos 83 anos, no Rio de Janeiro, o jornalista Renato Machado, um dos profissionais mais respeitados da televisão brasileira. Ele estava internado na Clínica São Vicente, na Zona Sul da capital fluminense. A família não divulgou a causa da morte.
Dono de uma carreira marcada pela credibilidade, elegância e profundo compromisso com a informação, Renato Machado tornou-se uma referência para várias gerações de jornalistas e telespectadores. Durante mais de quatro décadas na TV Globo, participou da cobertura de alguns dos acontecimentos mais importantes da história contemporânea, tanto no Brasil quanto no exterior.
Para milhões de brasileiros, sua imagem ficará eternamente associada ao Bom Dia Brasil. À frente do telejornal por mais de uma década, Renato ajudou a transformar o formato do noticiário matinal, tornando-o mais dinâmico, próximo do público e aberto à análise dos principais fatos do dia. Ao lado de jornalistas como Leilane Neubarth e Renata Vasconcellos, participou da modernização da linguagem do telejornalismo brasileiro, aproximando a notícia do cotidiano dos telespectadores.
Antes de conquistar o público nas manhãs da televisão, Renato Machado já havia construído uma sólida trajetória como repórter e correspondente internacional. Contratado pela TV Globo em 1982, estreou cobrindo um dos maiores conflitos militares da América do Sul: a Guerra das Malvinas.
Posteriormente, como correspondente em Londres, acompanhou acontecimentos que marcaram a história mundial, entre eles os atentados terroristas ocorridos em Paris, em 1986, e o acidente nuclear de Chernobyl, na então União Soviética, considerado o maior desastre nuclear da história.
No Brasil, também esteve presente em momentos decisivos da vida nacional. Participou da cobertura do processo de impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello, em 1992, e da morte do tricampeão mundial de Fórmula 1 Ayrton Senna, em 1994, dois episódios que mobilizaram o país.
Apaixonado pela cultura europeia e pela enologia, Renato Machado voltou a morar em Londres em 2011. Nesse período, produziu reportagens especiais para o Jornal Hoje sobre gastronomia, turismo e a tradição da produção de vinhos em diversas regiões da Europa, especialmente na Provença, na França. As séries conquistaram o público pela qualidade das imagens, pela riqueza cultural e pela narrativa refinada do jornalista.
Nos últimos anos de carreira, Renato também deixou sua marca no Globo Repórter. Em 2016, a reportagem “A arte como passaporte”, que mostrou como a música e a dança transformavam a vida de crianças e adolescentes em comunidades brasileiras, recebeu indicação ao Emmy Internacional, um dos mais importantes prêmios da televisão mundial.
Mesmo consagrado como um dos maiores jornalistas do país, Renato Machado sempre demonstrou humildade ao falar da profissão. Em depoimento ao projeto Memória Globo, resumiu sua visão sobre o jornalismo com uma frase que se tornou uma de suas reflexões mais conhecidas:
“É um universo de aprendizado que, a cada dia, você vê que erra.”
A declaração sintetiza a postura de um profissional que fez da busca permanente pela verdade, pelo conhecimento e pela responsabilidade com a informação a marca de toda a sua trajetória.
A morte de Renato Machado encerra um dos capítulos mais importantes da história do telejornalismo brasileiro. Seu legado permanece vivo nas grandes coberturas que realizou, na transformação do jornalismo televisivo e na inspiração deixada para milhares de profissionais que seguiram seus passos.
Renato Machado deixa uma carreira marcada pela excelência, pelo equilíbrio e pela credibilidade, qualidades que o transformaram em um dos maiores ícones da comunicação brasileira.
Ricardo Lima / Fonte: Redação Jornal “Opção”.

