Senador do Republicanos defende que a redução da jornada sem corte salarial pode elevar custos, pressionar a inflação e afetar o emprego; proposta foi aprovada por 75 votos a 1 nos dois turnos
O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), ex-vice-presidente da República durante o governo Jair Bolsonaro, foi o único parlamentar a votar contra a proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6×1 no Senado Federal. A matéria foi aprovada nesta quarta-feira (14), em dois turnos, com 75 votos favoráveis e apenas um contrário.
Ao explicar sua posição, Mourão afirmou que mantém uma visão crítica sobre a mudança na jornada de trabalho e voltou a defender que a redução das horas trabalhadas, sem diminuição dos salários, exige ganhos de produtividade que, segundo ele, não ocorreram em ritmo suficiente nas últimas décadas.
“Para reduzir o período trabalhado e manter o salário, seria necessário aumentar a produtividade, o que praticamente não ocorreu nos últimos 40 anos”, argumentou o senador, em declaração publicada nesta quinta-feira (15).
Mourão também apontou preocupações com a informalidade no mercado de trabalho, a qualificação profissional e os custos para as empresas. Na avaliação do parlamentar, a mudança poderá provocar aumento de despesas, desemprego e inflação.
Esses efeitos, contudo, são projeções defendidas pelo senador e não consequências já comprovadas da nova regra. O impacto dependerá da implementação da mudança, das condições de cada setor econômico e da capacidade de adaptação de empresas e trabalhadores.
O que muda com o fim da escala 6×1
A proposta aprovada pelo Senado prevê a substituição do modelo tradicional de seis dias de trabalho para um de descanso por uma organização que assegure dois dias de folga remunerada por semana, além da redução gradual do limite da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem corte salarial.
A transição será escalonada: dois meses após a promulgação, o limite semanal passará a 42 horas, depois de um ano, chegará a 40 horas. O texto aprovado segue para promulgação pelo Congresso Nacional, uma vez que a Câmara dos Deputados já havia aprovado a proposta sem alterações.
A mudança afeta diretamente a organização das escalas de trabalho e deverá exigir ajustes operacionais em atividades que funcionam durante toda a semana, como comércio, alimentação, transporte e serviços.
Os defensores da medida destacam a ampliação do tempo de descanso, a convivência familiar e a qualidade de vida dos trabalhadores. Já os críticos alertam para a necessidade de avaliar os custos de adaptação, a produtividade e possíveis efeitos sobre preços e contratações.
Votação teve apoio amplo, inclusive de parlamentares da oposição
O resultado de 75 votos favoráveis e apenas um contrário chamou a atenção pela amplitude do apoio à proposta. Mourão manteve sua posição mesmo diante da adesão de parlamentares de diferentes campos políticos.
A votação ocorreu em meio à disputa presidencial de 2026, período em que o fim da escala 6×1 ganhou destaque no debate público. Ainda assim, o resultado expressivo demonstra que a proposta reuniu apoio muito além da base governista.
É importante observar que nem todos os senadores que não votaram a favor da medida se posicionaram contra ela, houve parlamentares que não registraram voto. Mourão foi o único a votar expressamente contra a PEC nos dois turnos.
Um debate que vai além da política
A discussão sobre a escala 6×1 envolve questões econômicas e sociais relevantes. De um lado, está a busca por mais tempo de descanso e melhores condições de vida para os trabalhadores. De outro, há preocupações sobre os custos empresariais, a produtividade e a capacidade de adaptação de diferentes atividades econômicas.
Ao manter seu voto contrário, Hamilton Mourão apresentou uma posição alinhada à preocupação que expressa sobre os possíveis efeitos econômicos da redução da jornada. O desafio, a partir da implementação da nova regra, será acompanhar os resultados concretos sobre emprego, renda, preços e produtividade.
A mudança representa uma alteração importante nas relações de trabalho no Brasil. Seus efeitos deverão ser avaliados com base em dados e na experiência dos setores atingidos, para que o debate público avance para além das posições políticas e permita medir os benefícios e os desafios da nova jornada.
Ricardo Lima / Fontes consultadas: CNN Brasil, Estado de Minas e Zero Hora.


