Presidente do Atlético-GO falou sobre política e apostas durante coletiva antes do clássico contra o Goiás; declarações repercutiram nas redes sociais e ganharam destaque nos principais sites esportivos
O presidente do Atlético-GO, Adson Batista, tornou-se um dos assuntos mais comentados do futebol goiano nesta quinta-feira (24), após fazer declarações políticas durante entrevista coletiva concedida antes do clássico contra o Goiás. O dirigente falou abertamente sobre sua posição ideológica, criticou o PT e também comentou a discussão nacional envolvendo o futuro das casas de apostas e seus contratos de patrocínio com clubes de futebol.
Ao responder a uma pergunta sobre a possibilidade de encerramento dos patrocínios de empresas de apostas, Adson afirmou que não se identifica com o PT e declarou publicamente ser uma pessoa de direita.
“Eu não sou petista. Aliás, não gosto de petista. Eu sou um cara de direita, minhas características são definidas como uma pessoa de direita”, afirmou o dirigente. Na sequência, fez uma avaliação crítica sobre integrantes do partido, dizendo que, na sua visão pessoal, há “desvio moral e intelectual”.
A declaração rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais e foi reproduzida por diferentes veículos de comunicação que acompanham o futebol brasileiro. O Diário de Goiás, o Mais Goiás e outros portais esportivos destacaram a fala do presidente rubro-negro.
Adson, entretanto, deixou claro que sua posição sobre as bets não está relacionada a uma defesa do setor. Pelo contrário. O presidente do Atlético-GO afirmou ser contrário às casas de apostas e disse considerar positiva a possibilidade de o futebol deixar de ter esse tipo de patrocinador.
O ponto de discordância apresentado pelo dirigente está na forma e no momento de eventual mudança das regras.
Na avaliação de Adson, caso o governo decida pelo encerramento das apostas, os contratos de patrocínio atualmente vigentes deveriam ser respeitados até o seu término. Para ele, uma mudança imediata poderia criar dificuldades para clubes que organizaram seus orçamentos considerando receitas provenientes desses acordos comerciais.
A discussão ganhou ainda mais força nesta semana porque o Governo Federal prepara uma medida provisória para alterar profundamente as regras das apostas online no Brasil. Até o momento da entrevista de Adson, a proposta ainda estava em processo de definição. Segundo reportagens publicadas nesta sexta-feira (25), o governo avaliava a proibição das apostas esportivas e dos jogos de cassino online, enquanto também discutia mecanismos para reduzir os impactos financeiros sobre os clubes.
Impacto financeiro no futebol
O debate sobre os contratos de patrocínio ganhou dimensão nacional porque as casas de apostas se tornaram uma das principais fontes comerciais do futebol brasileiro nos últimos anos.
Levantamento publicado em setembro aponta que pelo menos 28 dos 40 clubes das Séries A e B possuíam algum vínculo comercial com empresas do setor, sendo 15 equipes da primeira divisão e 13 da segunda.
Outro levantamento divulgado nesta semana mostra que as casas de apostas movimentaram mais de R$ 1 bilhão em contratos de patrocínio com clubes em 2025. Na Série A, 13 ou 14 dos 20 clubes, dependendo do momento considerado nos levantamentos, tinham marcas do setor em posição de destaque nos uniformes.
Diante da possibilidade de mudança nas regras, algumas empresas já começaram a notificar clubes sobre a possibilidade de revisão ou rescisão dos contratos. Corinthians, São Paulo e Fluminense estão entre as equipes citadas nas reportagens sobre os avisos recebidos de patrocinadoras.
A situação colocou dirigentes diante de uma equação delicada, de um lado, existe a discussão sobre os impactos sociais das apostas e a necessidade de fiscalização; de outro, estão receitas importantes para clubes, competições, emissoras e toda a cadeia comercial do futebol.
O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva vem defendendo publicamente medidas mais duras contra as bets. Em declarações recentes, afirmou que pretende acabar com as apostas online no país, enquanto o governo trabalha na elaboração da medida provisória que poderá definir o futuro do setor.
Clubes e entidades esportivas, por sua vez, vêm manifestando preocupação com os efeitos financeiros de uma eventual proibição. A discussão envolve não apenas os patrocínios nas camisas, mas também publicidade, placas nos estádios, transmissões e contratos comerciais relacionados ao futebol.
Plano de reestruturação financeira
Como parte das discussões com os clubes, o governo também trabalha em alternativas para reduzir os impactos financeiros de uma eventual mudança no mercado de apostas.
Segundo reportagem do UOL publicada nesta sexta-feira, está sendo discutida uma linha de crédito de até R$ 20 bilhões para clubes e SAFs, com recursos destinados à reorganização de dívidas trabalhistas, fiscais, bancárias e cíveis, além de investimentos em categorias de base. A proposta ainda poderia sofrer alterações antes de qualquer formalização.
Nesse cenário, a declaração de Adson Batista ganhou ainda mais repercussão por ocorrer justamente no momento em que dirigentes, clubes, empresas e governo discutem os próximos passos para o futebol brasileiro.
Adson também falou de futebol antes do clássico
Apesar da repercussão das declarações políticas, a entrevista de Adson Batista teve como principal contexto o clássico entre Atlético-GO e Goiás, marcado para este sábado (26), às 18h30, no Estádio Hailé Pinheiro, pela 30ª rodada da Série B.
O dirigente afirmou que o Atlético-GO precisa apresentar um espírito diferente nos clássicos e reconheceu que o clube está devendo nesse tipo de confronto. Também citou o Vila Nova como exemplo de equipe que vem fazendo uma campanha regular e conquistando resultados importantes nos clássicos.
Na tabela, o Atlético-GO chega ao confronto com 46 pontos, na sétima colocação, enquanto o Goiás soma 42 pontos e aparece em 11º lugar. O clássico, portanto, terá peso importante para os objetivos das duas equipes na reta final da Série B.
Repercussão nas redes
A combinação de futebol, política e um dos assuntos econômicos mais importantes do momento fez a entrevista de Adson Batista rapidamente ultrapassar o ambiente esportivo.
As declarações foram compartilhadas e comentadas nas redes sociais, provocando reações diferentes entre torcedores e internautas. O episódio também reforça o perfil de Adson como um dirigente que costuma se posicionar publicamente sobre temas que ultrapassam as quatro linhas.
No caso específico das bets, sua manifestação trouxe uma posição que combina dois pontos: a defesa de um futebol sem patrocínios de casas de apostas e, ao mesmo tempo, a preocupação com o cumprimento dos contratos já firmados pelos clubes.
Enquanto o governo define os próximos passos, o futebol brasileiro acompanha de perto uma discussão que poderá provocar mudanças importantes no modelo de financiamento dos clubes nos próximos anos.
Ricardo Lima / Fontes consultadas: Diário de Goiás, Mais Goiás, ge, UOL Esporte, Agência Brasil, CNN Brasil, Futebol Interior, Folha de S.Paulo.

