O presidente do Conselho Deliberativo do Goiás Esporte Clube, Paulo Rogério Pinheiro, concedeu entrevista exclusiva ao Diário de Goiás e detalhou a proposta de reformulação completa do estatuto esmeraldino. Ele explicou os motivos das mudanças estruturais, confirmou o retorno do modelo presidencialista e fez duras críticas à atual gestão do Conselho Administrativo, em meio à crise financeira vivida pelo clube.
Estatuto será reescrito do zero
Segundo Paulo Rogério, a proposta é abandonar completamente o estatuto aprovado recentemente. O dirigente afirma que o documento atual foi elaborado sem tempo adequado para análise e sem considerar a realidade cultural e administrativa do clube.
Ele afirma que o texto vigente contém erros, ambiguidades e riscos de múltiplas interpretações, o que pode gerar consequências sérias. Por isso, o novo estatuto está sendo escrito integralmente, com 85 artigos que serão enviados ao Conselho Deliberativo nas próximas semanas.
Após análise mínima de 15 dias, o Conselho deverá votar o texto em bloco. Depois, o documento segue para votação final em Assembleia Geral de Sócios. A expectativa interna é concluir todo o processo até agosto. Caso aprovado, entrará em vigor imediatamente.
Retorno do modelo presidencialista
A principal mudança prevista é a retomada do cargo de presidente executivo, figura central que comandou o clube por décadas e esteve representada em gestões como as de Raimundo Queiroz, João Bosco Luz, Sid Oliveira Reis, Sérgio Rassi, Marcelo Almeida e o próprio Paulo Rogério.
Com o fim do modelo colegiado do Conselho Administrativo, o presidente executivo voltará a ser o responsável direto pelas decisões do clube, contando com um diretor executivo profissional para executar as políticas administrativas e esportivas.
O novo organograma prevê cinco vice-presidências:
• Futebol
• Administrativo e Financeiro
• Jurídico
• Marketing e Novos Negócios
• Esportes Olímpicos e Social
Nem o presidente nem os vice-presidentes serão remunerados, por determinação legal referente a associações sem fins lucrativos. Porém, cada área contará com executivos profissionais contratados.
Para Paulo Rogério, a mudança devolverá agilidade à tomada de decisões. Ele critica o modelo atual, no qual todo o Conselho Administrativo precisa se reunir formalmente para aprovar contratações e ações, o que, segundo ele, atrasa processos urgentes do futebol.
Impacto político imediato
Com a mudança, o atual presidente do Conselho Administrativo, Aroldo Guidão, assumirá interinamente a presidência executiva até uma nova eleição no fim do ano. O novo mandato terá duração inicial de três anos.
Paulo Rogério também afirmou que não pretende voltar ao comando executivo do clube e declarou que nenhum integrante atual dos Conselhos Administrativo, Deliberativo ou Fiscal poderá disputar a próxima eleição.
Crise financeira preocupa dirigentes
Durante a entrevista, Paulo Rogério demonstrou preocupação com o cenário financeiro esmeraldino. Segundo ele, o clube apresenta dificuldades para equilibrar receitas e despesas.
O dirigente afirmou que vem alertando para o problema desde 2024 e criticou contratações feitas em 2025, que teriam salários elevados e contratos longos. Ele classificou algumas das aquisições como tecnicamente duvidosas e afirmou que esse conjunto de decisões contribuiu para agravar a situação financeira.
Ele também confirmou que há atrasos em diferentes áreas do clube, embora impostos e obrigações trabalhistas estejam sendo mantidos em dia. Para aliviar o caixa, a venda de jovens atletas deve voltar a ser uma das principais fontes de receita no curto prazo.
Entre os nomes mais valorizados, o volante Lucas Rodrigues está próximo de ser negociado e pode render uma das maiores vendas da história do Goiás. Atualmente, o maior valor já arrecadado em transferência é o do atacante Michael, vendido por cerca de R$ 49 milhões.
Departamento de futebol confirma atrasos
O Diretor de Futebol Michel Alves reconheceu pendências financeiras, incluindo atrasos de direitos de imagem e um mês de salário, situação que já existia antes do clássico contra o Vila Nova.
Segundo ele, reuniões com o Conselho Administrativo e com o Presidente Aroldo Guidão estão sendo realizadas para buscar soluções rápidas que evitem prejuízos ao ambiente interno e mantenham o elenco mobilizado.
Michel afirmou que sua principal preocupação é preservar a competitividade do grupo e garantiu que a diretoria trabalha diariamente para equalizar as dívidas.
Busca por reforços
Michel Alves também foi questionado sobre movimentação do Goiás no mercado da bola, já pensando na abertura da janela de transferências, em 20 de julho.

“Principalmente pela saída do Jajá ao Remo, necessitamos de uma reposição de atacante com a mesma característica. Mas, é uma preocupação minha gerir e ter responsabilidade financeira. Preciso de uma aprovação de orçamento para fortalecer o elenco e buscar o acesso”, concluiu.
Ricardo Lima / Fontes: “Diário de Goiás” e “Mais Goiás”.

