Embora as tecnologias de gramados sintéticos tenham evoluído nos últimos anos, a Fifa optou por preservar um dos pilares mais tradicionais do futebol para a Copa do Mundo de 2026: o uso exclusivo de gramados naturais.
A decisão elimina a possibilidade de campos 100% artificiais no torneio. Para atender ao padrão exigido, metade das 16 arenas do Mundial, muitas delas adaptadas do futebol americano, com pisos sintéticos ou estruturas cobertas, passou por intervenções técnicas para receber grama natural ou sistemas híbridos, que combinam base orgânica com reforço de fibras artificiais.

Além da substituição da grama, haverá padronização rigorosa nas dimensões dos campos. Todas as partidas serão disputadas em gramados com medidas oficiais de 105 por 68 metros, garantindo uniformidade nas condições de jogo em todas as sedes, independentemente do país.
Pesquisa aplicada desde 2022
O desenvolvimento desses gramados não foi improvisado. Desde 2022, uma força-tarefa coordenada por universidades norte-americanas vem conduzindo estudos para garantir a qualidade das superfícies. O desafio era criar um tipo de gramado capaz de resistir a condições climáticas extremas, que variam do calor intenso no México ao frio acentuado no Canadá, além de suportar ambientes com pouca luz natural em estádios cobertos.

Após uma série de testes em campos experimentais e simulações em arenas esportivas, foram definidas as espécies mais adequadas para cada região do torneio, levando em conta fatores como resistência, regeneração e adaptação climática.
Gramados para regiões de clima quente
Nas sedes localizadas em áreas de altas temperaturas, como o sul dos Estados Unidos e o México, a escolha recaiu sobre variedades da grama Bermuda. Entre elas estão Tahoma 31, Tifway 419 e North Bridge, conhecidas pela capacidade de suportar calor intenso, rápida recuperação após uso contínuo e elevada resistência ao desgaste provocado pelas partidas.
Soluções para regiões de clima frio
Já nas cidades com temperaturas mais baixas, especialmente no Canadá e no norte dos Estados Unidos, a principal opção será a Kentucky Bluegrass. Essa espécie se destaca por manter densidade e qualidade mesmo em condições frias.
Em algumas situações, será aplicada a técnica de sobre-semeadura com Ryegrass perene, estratégia utilizada para reforçar a resistência do gramado e garantir aparência uniforme ao longo da competição.
Com esse planejamento detalhado, a organização busca assegurar que todos os jogos ocorram em superfícies de alto nível, independentemente das condições climáticas de cada sede.
Ricardo Lima / Fonte: Aline Drumont – Redação “Diário da Manhã”.
