A tensão política no Oriente Médio começa a ultrapassar as fronteiras da diplomacia e alcançar também o universo do futebol internacional. Declarações recentes do governo iraniano colocaram em dúvida a participação da seleção do país na próxima Copa do Mundo de 2026, que será realizada de forma conjunta nos Estados Unidos, México e Canadá.
O posicionamento foi revelado pelo ministro do Esporte do Irã, Ahmad Donjamali, durante entrevista à televisão estatal iraniana. Segundo ele, diante do atual cenário de conflitos e tensões políticas envolvendo o país, a seleção iraniana não disputaria partidas em território norte-americano “sob nenhuma circunstância”. A declaração provocou repercussão imediata no cenário esportivo internacional.
De acordo com o ministro, a decisão está diretamente ligada ao ambiente político e às recentes crises enfrentadas pelo país. Donjamali afirmou que o Irã atravessa um período de forte instabilidade após episódios de guerra e confrontos que, segundo ele, provocaram milhares de vítimas entre civis iranianos. Durante a entrevista, o ministro classificou as ações contra o país como “medidas perversas” e afirmou que, diante desse contexto, não seria possível enviar a equipe nacional para competir nos Estados Unidos.
A fala do ministro reflete um sentimento que já vinha sendo demonstrado por parte das autoridades esportivas iranianas. O presidente da Federação de Futebol do país, Mehdi Taj, também já havia levantado dúvidas sobre a participação da seleção no torneio, citando as tensões políticas e a complexidade da relação diplomática com os Estados Unidos.
A possível ausência do Irã na próxima Copa contrasta com declarações recentes do presidente da FIFA, Gianni Infantino. Em entrevistas anteriores, o dirigente afirmou ter recebido garantias do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que todas as seleções classificadas seriam bem-vindas para disputar a competição em território norte-americano, independentemente de divergências políticas entre governos.
A Copa do Mundo FIFA de 2026 será histórica por diversos motivos. Além de ser a primeira edição organizada simultaneamente por três países, Estados Unidos, México e Canadá, o torneio também contará com um formato ampliado, reunindo 48 seleções, o maior número da história da competição.
Caso o Irã realmente confirme a decisão de não participar do Mundial, a situação representará mais um capítulo em que fatores políticos interferem diretamente no futebol internacional. Ao longo da história da Copa do Mundo, episódios semelhantes já ocorreram. Um dos exemplos mais marcantes foi o da Áustria, que deixou de disputar a Copa do Mundo FIFA de 1938 após a anexação do país pela Alemanha nazista. Décadas depois, a Iugoslávia também ficou fora da Copa do Mundo FIFA de 1994 em meio às sanções internacionais decorrentes da guerra civil que fragmentou o país.
Apesar das declarações do governo iraniano, a situação ainda pode evoluir ao longo dos próximos meses. A definição final dependerá tanto da posição oficial da federação iraniana quanto das negociações diplomáticas que possam ocorrer até o início do torneio. Nos bastidores do futebol internacional, a expectativa é de que a FIFA tente conduzir o tema com cautela, buscando preservar o caráter global e inclusivo da maior competição do esporte mundial.
Ricardo Lima

