Um levantamento realizado pelo Instituto Datafolha revela que grande parte da população brasileira está devendo. As pendências não se restringem apenas a instituições financeiras ou empresas, mas também incluem dívidas com amigos e parentes.
Das 2.002 pessoas ouvidas em todas as regiões do país, 70% afirmam ter algum tipo de dívida, sendo que 41% admitem ter tomado empréstimos com pessoas próximas e ainda não conseguiram pagar.
Segundo a pesquisa, 29% devem no cartão de crédito, 26% estão inadimplentes em contratos de empréstimos com bancos e 25% possuem dívidas em carnês de lojas.
O crédito rotativo do cartão — uma das modalidades mais caras do mercado — é utilizado por 27% dos entrevistados. Outros 22% dizem que recorrem a ele poucas ou raras vezes, enquanto 5% afirmam pagar com frequência apenas o valor mínimo da fatura, o que ativa automaticamente o rotativo.
As contas de consumo e serviços também têm ficado atrasadas para 28% dos brasileiros ouvidos. Telefonia e internet (12%) e tributos como IPTU e IPVA (12%) lideram as citações, seguidos por energia elétrica (11%) e água (9%).
O Datafolha mostra ainda que 45% dos brasileiros vivem sob forte pressão econômica, sendo 27% em situação apertada e 18% em condição considerada severa. Outros 36% enfrentam restrições moderadas, enquanto apenas 19% dizem não ter dificuldades ou relatam problemas leves.
Para tentar equilibrar o orçamento, 64% da população cortou gastos com lazer e 60% reduziu refeições fora de casa ou trocou marcas de consumo. Até itens básicos foram afetados: 52% passaram a comprar menos alimentos e 50% diminuíram despesas com água, luz e gás.
A inadimplência atinge 40% das contas de consumo, enquanto 38% afirmam ter suspendido pagamentos de dívidas ou até de medicamentos. Esse cenário tem impacto emocional: 37% dos entrevistados apontam a situação financeira como o principal problema pessoal no momento.
A pesquisa foi realizada entre os dias 8 e 9 de abril de 2026, com 2.002 pessoas distribuídas proporcionalmente entre todas as regiões do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro de um nível de confiança de 95%.
Ricardo Lima / Fonte: Kleber Pizão – “Pleno.News”.

