Influenciadores e cantores estão entre os alvos de investigação que apura esquema de lavagem de dinheiro bilionário
A ofensiva da Polícia Federal contra um esquema de lavagem de dinheiro ganhou um novo desdobramento nesta quarta-feira (15), com a prisão do influenciador Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei, em Goiânia. A ação integra a Operação Narco Fluxo, que investiga uma organização criminosa suspeita de movimentar mais de R$ 1,6 bilhão em menos de dois anos.
A nova etapa da operação ocorre após as prisões dos cantores MC Ryan SP e Poze do Rodo, além do influenciador Chrys Dias, todos apontados como alvos do mesmo esquema. Segundo a PF, o grupo atuava de forma estruturada para ocultar a origem ilícita dos recursos, utilizando empresas de fachada, laranjas e até transações com criptoativos.
Esquema envolvia rede nacional e movimentações suspeitas:
De acordo com as investigações, o esquema operava em diversos estados e também no exterior, utilizando movimentações financeiras de alto valor e transporte de dinheiro em espécie. A Justiça Federal expediu 39 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão, cumpridos simultaneamente em estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás e no Distrito Federal.
No caso de Raphael Sousa Oliveira, a prisão ocorreu na capital goiana, onde ele foi localizado por agentes federais. A PF não detalhou, até o momento, qual seria a participação específica do influenciador dentro da organização investigada.
Além das prisões, a operação também determinou o bloqueio de bens e a aplicação de restrições a empresas ligadas aos investigados. A medida tem como objetivo interromper o fluxo financeiro do grupo e garantir a preservação de valores para possível ressarcimento aos cofres públicos.
A Polícia Federal informou ainda que as ações desta fase são resultado de investigações anteriores, que já haviam identificado indícios da atuação do grupo em esquemas complexos de lavagem de capitais. O material apreendido, como documentos, veículos e equipamentos eletrônicos, deve contribuir para aprofundar a apuração.
Batizada de Operação Narcofluxo, a ação ocorre simultaneamente em diversos estados, com maior concentração em São Paulo e Rio de Janeiro. Equipes policiais cumpriram mandados nas primeiras horas do dia, incluindo buscas em endereços relacionados aos investigados, como a residência de MC Ryan SP.
Esquema envolvia empresas, terceiros e criptoativos
De acordo com as investigações, o grupo é suspeito de ter estruturado um sistema complexo para ocultar a origem de recursos ilícitos. A apuração aponta o uso de empresas de fachada, pessoas interpostas e transações com criptoativos para dificultar o rastreamento do dinheiro.
Além disso, a Polícia Federal identificou movimentações financeiras de alto valor, tanto no Brasil quanto no exterior, incluindo o transporte de grandes quantias em dinheiro em espécie. Ao todo, mais de 200 agentes participam da operação, que cumpre 39 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão.
As ordens judiciais foram expedidas pela 5ª Vara Federal de Santos, no litoral paulista, e são executadas em vários estados, como Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e no Distrito Federal. Também foram determinadas medidas de bloqueio de bens e restrições a empresas ligadas aos investigados.
As investigações também alcançam o influenciador Chrys Dias, apontado como um dos alvos da operação. De acordo com a Polícia Federal, ele estaria ligado ao esquema por meio de movimentações financeiras suspeitas e possível participação na circulação de valores de origem ilícita.
A apuração busca esclarecer o papel do influenciador dentro da estrutura investigada, incluindo eventual uso de sua visibilidade para intermediar ou ocultar transações, embora os detalhes específicos ainda não tenham sido totalmente divulgados pelas autoridades.
Durante o cumprimento das ordens, os agentes apreenderam veículos, dinheiro em espécie, documentos e equipamentos eletrônicos, que agora passam por análise para aprofundar as investigações. Os envolvidos poderão responder por crimes como lavagem de dinheiro, associação criminosa e evasão de divisas.
No caso de Poze do Rodo, a prisão ocorreu em sua residência, no bairro Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste do Rio de Janeiro. A defesa do artista informou que ainda não teve acesso ao teor completo do mandado, mas afirmou que irá se manifestar na Justiça assim que obtiver mais informações.
A Operação Narcofluxo é resultado de investigações anteriores que já indicavam a atuação do grupo em esquemas de ocultação de recursos ilícitos. Segundo a Polícia Federal, o objetivo principal é desarticular a organização criminosa e interromper o fluxo financeiro ilegal.
Os investigados poderão responder por crimes como associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. As investigações seguem em andamento.
Ricardo Lima / Fonte: Renata Ferraz – O Hoje.

