Pegos de surpresa com a decisão da filha do ex-governador Iris Rezende, emedebistas alegam que se trata de um caso isolado
A filiação de Ana Paula Rezende ao PL movimentou os bastidores da política goiana e surpreendeu integrantes do seu agora ex-partido, o MDB. A oficialização ocorreu na última sexta-feira (20), durante reunião na sede estadual do Partido Liberal, em Goiânia. Na ocasião, ela também foi anunciada como pré-candidata a vice-governadora na chapa encabeçada pelo Senador Wilder Morais, presidente do PL em Goiás.
A mudança de sigla insere Ana Paula no centro da disputa pelo Palácio das Esmeraldas e cria um cenário de tensão política, sobretudo pelo simbolismo da decisão. Filha do ex-governador de Goiás e ex-prefeito de Goiânia Iris Rezende, ela deixa justamente o partido ao qual o pai dedicou grande parte de sua trajetória política: o Movimento Democrático Brasileiro.
Nos bastidores do MDB goiano, presidido pelo Vice-governador Daniel Vilela, também pré-candidato ao Governo de Goiás, a notícia foi recebida com surpresa. Lideranças da legenda classificaram a decisão como “precipitada” e avaliaram que o movimento pode ter forte carga pessoal. Segundo um emedebista ouvido pela reportagem, a saída não fortalece o legado histórico construído por Iris Rezende dentro da sigla.
O desconforto entre Ana Paula e o MDB vinha se tornando público nos últimos meses. A principal divergência envolve a falta de apoio do partido para a construção do Memorial Iris Rezende, projeto idealizado para preservar a memória política do ex-governador. A iniciativa, segundo interlocutores, não avançou como ela esperava dentro da legenda.
Durante o ato de filiação ao PL, Ana Paula fez críticas diretas ao antigo partido. “Saio do partido que fechou as portas para o legado que meu pai deixou. E quando as portas se fecham, precisamos prosseguir e encontrar novos caminhos”, afirmou. Além da questão do memorial, ela também defendia a possibilidade de disputar o Senado Federal com o respaldo do MDB, o que não se concretizou.
As declarações públicas provocaram incômodo entre dirigentes emedebistas. Nos bastidores, há quem avalie que a exposição do tema foi desnecessária e gerou constrangimento interno. Integrantes da sigla ponderam que, embora o reconhecimento da trajetória de Iris seja consenso, a construção de um memorial não seria uma obrigação institucional do partido.
Com a ida ao PL, Ana Paula passa a integrar um projeto político que busca consolidar uma alternativa ao grupo governista nas eleições estaduais. A composição com Wilder Morais sinaliza uma estratégia de ampliar o alcance eleitoral da legenda, agregando um sobrenome de peso à chapa majoritária. O cenário eleitoral em Goiás, que já se desenhava competitivo, ganha agora um novo elemento de rearranjo partidário e simbólico.
Ricardo Lima \ Fonte: Redação “O Hoje”.

