Uma denúncia envolvendo uma professora da rede municipal de ensino de Potirendaba, no interior de São Paulo, provocou preocupação e indignação após a divulgação de um vídeo pela prefeita Gi Franzotti (PL), nesta quarta-feira (21). Segundo a chefe do Executivo municipal, a docente teria afirmado que pessoas brancas e ricas teriam mais chances de sobreviver em um eventual governo do candidato e apontado alunos negros e pardos como possíveis vítimas.
Em um dos trechos relatados, a professora teria utilizado a expressão “pezinho na senzala” ao se dirigir a um estudante. Diante das perguntas das crianças sobre a possibilidade de serem mortas ou escravizadas, a docente teria feito afirmações que aumentaram o temor dos alunos.
O conteúdo descrito é grave, sobretudo por envolver crianças em ambiente escolar e por tratar de raça, violência e política de maneira potencialmente intimidatória. A apuração deverá esclarecer as circunstâncias da aula, o contexto das falas e a conduta da profissional.
Prefeitura anuncia providências
Gi Franzotti afirmou que a administração municipal pretende encaminhar o caso a diferentes órgãos para investigação e adoção das medidas cabíveis.
Segundo a prefeita, já havia sido protocolada uma denúncia no Ministério do Trabalho. A gestão também anunciou que encaminharia o material ao Ministério Público, ao juiz da Infância e da Juventude e ao Conselho Tutelar.
Além disso, a prefeitura informou que abrirá uma sindicância administrativa para apurar a conduta da servidora e avaliar as medidas pertinentes, conforme o resultado da investigação e as normas aplicáveis.
Ao defender a importância do sistema de monitoramento das escolas, Gi Franzotti declarou que as gravações foram fundamentais para verificar o relato recebido pela administração.
“Se nós não tivéssemos as nossas em bom estado como temos, eu não teria comprovado uma barbárie como essa”, afirmou a prefeita.
Escola deve ser espaço de aprendizagem e respeito
O episódio reacende uma discussão importante sobre os limites da atuação de profissionais da educação ao abordar temas políticos e históricos em sala de aula.
A escola tem papel fundamental na formação cidadã, no ensino da história e na promoção do respeito às diferenças. Questões como fascismo, nazismo, racismo e eleições podem fazer parte de atividades pedagógicas, desde que tratadas com responsabilidade, fundamentação e adequação à idade dos estudantes.
O que torna a denúncia especialmente preocupante é o relato de que crianças teriam sido individualmente apontadas e associadas a possíveis situações de morte ou escravização em razão da cor da pele.
Caso confirmadas, condutas dessa natureza exigem apuração rigorosa e providências compatíveis com a gravidade dos fatos, com atenção especial à proteção emocional dos alunos e ao direito de suas famílias de obter esclarecimentos.
Também é fundamental garantir que a investigação siga os procedimentos legais, assegurando a análise integral das gravações, o direito de defesa da profissional e a proteção da identidade das crianças envolvidas.
Veja como foi
Uma câmera de segurança gravou o momento em que a professora conversa com os estudantes de 11 anos. O nome da professora não foi divulgado.
Segundo a professora, se um dos candidatos à presidência vencer, o país poderá sofrer as consequências de um regime ditatorial.
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Professora foi afastada em Potirenadaba (SP) — Foto: Reprodução / Câmera de Segurança
“Se o nazismo acontecesse hoje, ou se algum governo com o qual a gente corre esse risco, né. A gente corre muito o risco de o país virar um fascismo”, disse a mulher.
Em seguida, um dos alunos pergunta o que é fascismo, e a professora responde: “É extrema direita, que prega Deus, pátria e família”, diz a mulher.
Na sequência, outro aluno indaga se é a mesma coisa que o candidato Flávio Bolsonaro (PL) defende.
“Mesma coisa. É o que o Flávio Bolsonaro e o Bolsonaro querem fazer. Então, a gente corre o risco de entrar em uma era dessa, só de brancos e ricos”, comenta a professora.
“Ia sobreviver pouca gente. Oh, você ia morrer, pois você é parda [..] Ela não, ele não, pois é loirinho de olho claro”, comenta.
Ao ouvir o pronunciamento, uma criança ainda questiona: “Professora, então eu ia morrer, né?”
A professora responde: “Claro que iria, você está lá com um pezinho na senzala”. A mulher ainda disse que o regime proposto pelo candidato é a mesma coisa que Benito Mussolini fez na Alemanha e Adolf Hitler fez na Itália.
Em nota, o Poder Executivo também esclareceu que a prefeita determinou a instaurado de um procedimento administrativo para apuração rigorosa das circunstâncias. Veja a nota na íntegra abaixo.
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Professora foi afastada da função em Potirenbada (SP) — Foto: Reprodução / Câmera de segurança
O que diz a prefeitura ?
A Prefeitura de Potirendaba informa que tomou conhecimento de relatos graves envolvendo a conduta de uma professora durante uma aula, em uma unidade da rede municipal de ensino. Segundo os relatos recebidos, a professora teria associado um possível futuro cenário político ao regime fascista, e proferido declarações que teriam provocado medo e abalo emocional, aterrorizando as crianças. Também foram relatadas falas de caráter discriminatório, incluindo referências direcionadas a alunos negros, situação que, se confirmada, é absolutamente incompatível com os princípios de respeito, dignidade e igualdade que devem nortear o ambiente escolar, ainda mais quando vindas de quem deveria proteger, ensinar e direcionar os alunos. A situação chegou ao conhecimento da prefeita Gislaine Montanari Franzotti após uma mãe relatar que sua filha, de 11 anos, teria retornado para casa emocionalmente abalada e chorando muito por conta do conteúdo das declarações atribuídas à professora. Diante da gravidade dos fatos, a prefeita determinou que as imagens da sala de aula fossem analisadas, instaurado procedimento administrativo para apuração rigorosa das circunstâncias, peticionado junto ao Ministério Público do Trabalho, ao Juiz da Infância e Juventude, e demais autoridades competentes para que as providências cabíveis sejam adotadas. A Prefeitura de Potirendaba não compactua com qualquer tipo de discriminação ou conduta que provoque intimidação, constrangimento ou sofrimento emocional aos estudantes. A escola deve ser um espaço de conhecimento, formação cidadã, respeito às diferenças e segurança emocional. O estudo de episódios históricos, como o Nazismo, e o Holocausto, é fundamental para a educação, mas deve ser conduzido com responsabilidade pedagógica, sem discriminação, intimidação ou utilização indevida da vulnerabilidade emocional das crianças. Por envolver menores de idade e procedimento em andamento, a Prefeitura preservará a identidade dos estudantes e divulgará novas informações no momento oportuno, respeitando a legislação vigente.
Investigação deverá esclarecer o caso
Até a conclusão dos procedimentos anunciados, as declarações atribuídas à professora devem ser tratadas como objeto de apuração, e não como uma decisão definitiva sobre sua responsabilidade.
O caso coloca em evidência a importância de ambientes escolares seguros, nos quais crianças possam aprender e expressar dúvidas sem serem submetidas a ameaças, constrangimentos ou discriminação.
A expectativa é que os órgãos competentes examinem as gravações, ouçam os envolvidos e esclareçam os fatos, adotando as providências necessárias para proteger os estudantes e garantir a responsabilidade administrativa e legal, caso sejam confirmadas irregularidades.
Fontes consultadas / Comunicação da P.M de Potirendaba (SP), Prefeita Gi Franzotti, Pleno.News.


