/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/h/E/pUy8QkR7mlMTM0U5sVkA/fotojet-40-.jpg)
Montagem mostra Daniel Vorcaro, dono do banco Master, e Alexandre de Moraes, ministro do STF — Foto: Reprodução/Rosinei Coutinho/STF
Relatório da Polícia Federal reúne diálogos atribuídos ao ex-dono do Banco Master com Alexandre de Moraes, pedidos de ajuda antes da prisão e referências a contratos milionários com escritório da esposa do ministro
O caso envolvendo o Banco Master ganhou novos contornos nesta terça-feira (1º) após a divulgação de mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador da instituição financeira.
O material, revelado inicialmente pelo jornal O Estado de S. Paulo e posteriormente acessado por outros veículos, incluindo a TV Globo, faz parte de um relatório da Polícia Federal e reúne conversas atribuídas a Vorcaro e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo a PF, os diálogos indicam que Vorcaro procurou o ministro às vésperas de sua primeira prisão, em novembro de 2025, para tratar do avanço das investigações. Em uma das mensagens, enviada em 15 de novembro, um sábado, o empresário pergunta: “Acha que 2ª tenho que estar fora?”, em referência à possibilidade de deixar o país.
Dois dias depois, na noite de 17 de novembro, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, quando tentava embarcar em um jato particular com destino final a Dubai.
A existência das mensagens, segundo a investigação, passou a ser analisada dentro de um contexto mais amplo de apuração sobre a relação entre Vorcaro, autoridades públicas e pessoas ligadas ao Banco Master.
É importante ressaltar que o conteúdo das mensagens e as conclusões da Polícia Federal estão sob investigação. A divulgação dos diálogos não significa, por si só, que todas as suspeitas levantadas tenham sido comprovadas judicialmente.
O que dizem as mensagens
De acordo com o relatório da PF, Vorcaro utilizava mensagens de visualização única no WhatsApp. Em alguns casos, escrevia o conteúdo em um bloco de notas do celular, fazia uma captura de tela e encaminhava a imagem.
Nas conversas atribuídas ao empresário com Moraes, Vorcaro demonstra preocupação com a possibilidade de novas medidas judiciais contra ele.
Em 16 de novembro, um domingo, ele pergunta ao ministro:
“Você acha que existe alguma chance disso acontecer amanhã de manhã?”
Em outra mensagem, Vorcaro sugere um encontro:
“às 14h então, na sua casa ou na minha?”
Na mesma sequência, manifesta preocupação com o futuro do banco:
“Muita sacanagem isso. Estou perplexo e indignado. Esses caras vão destruir todo o negócio e sem volta. De repente até melhor eu encarar de frente. Temos que dar um jeito de desarmar isso meu Deus.”
O relatório também registra uma mensagem enviada por Vorcaro em 14 de novembro, três dias antes da prisão, na qual ele agradece ao ministro e afirma ter uma “dívida de vida” com Moraes e sua família.
Segundo a PF, a mensagem foi enviada às 21h17:
“Estamos juntos sempre. Você sabe que tenho gratidão da minha vida a você. Toda minha família, funcionários, parceiros amigos que dependem de nós tem uma dívida de vida contigo e com sua família.”
O material foi encaminhado ao ministro André Mendonça, relator das investigações relacionadas ao Banco Master no STF. Mendonça retirou o sigilo de parte da apuração e determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre alguns dos elementos apresentados.
Vorcaro também teria citado Gonet e o diretor-geral da PF
Novas informações divulgadas nesta terça-feira ampliaram o alcance das mensagens.
Segundo reportagens baseadas no relatório da PF, Vorcaro também teria procurado interlocutores e mencionado o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
A apuração busca esclarecer se o empresário tentou utilizar sua proximidade com autoridades para obter informações ou retardar medidas contra ele.
O ministro André Mendonça pediu manifestação da PGR sobre mensagens nas quais Vorcaro teria feito referências a uma possível necessidade de proteção junto a Gonet e ao comando da Polícia Federal.
A existência dessas mensagens, entretanto, ainda precisa ser analisada dentro do contexto integral da investigação.
Contrato de R$ 131 milhões com escritório da esposa de Moraes
Outro elemento que ganhou destaque nesta terça-feira envolve o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes.
Segundo informações obtidas pela Polícia Federal, Vorcaro e o escritório mantiveram discussões relacionadas a um contrato cujo valor chegaria a aproximadamente R$ 131 milhões.
A PF teria identificado, inclusive, metadados de documentos que indicariam participação de Moraes na edição de uma versão do contrato.
A informação é contestada ou contextualizada pela defesa e pelo próprio escritório, que afirma que o setor de compliance solicitou informações ao ministro.
O contrato teria sido firmado em janeiro de 2024. Segundo as informações divulgadas, o escritório foi contratado para prestar serviços jurídicos ao Banco Master.
O episódio passou a integrar o conjunto de elementos analisados pelos investigadores para entender a relação entre Vorcaro e pessoas próximas ao ministro.
Um segundo contrato de R$ 50 milhões também entrou na investigação
As informações divulgadas nesta terça-feira apontam ainda para um segundo contrato, estimado em R$ 50 milhões, que teria sido negociado entre Vorcaro e o escritório de Viviane Barci de Moraes.
Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, o acordo previa R$ 40 milhões em cotas de um jatinho e de um helicóptero e outros R$ 10 milhões em reembolsos de despesas.
A reportagem afirma que o escritório contesta a validade desse segundo contrato e sustenta que apenas o primeiro acordo, de aproximadamente R$ 130 milhões, foi efetivamente assinado.
A Polícia Federal investiga as circunstâncias dessas negociações e a forma como os pagamentos e eventuais ativos seriam utilizados.
Pagamentos ao escritório também aparecem nas mensagens
Outra informação divulgada nesta terça-feira envolve reclamações de Vorcaro sobre pagamentos ao escritório de Viviane Barci de Moraes.
Segundo mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro, em março de 2024 ele teria reclamado com um dos sócios sobre o atraso de um pagamento.
“Pqp, não pagaram Barci de Moraes”, escreveu Vorcaro, segundo o material divulgado.
Em seguida, de acordo com a reportagem baseada nas mensagens, ele teria determinado que o pagamento fosse realizado.
A Polícia Federal analisa as conversas para verificar o contexto dos pagamentos, sua natureza e eventual relação com os contratos investigados.
O escritório da advogada é citado nas reportagens como parte da relação profissional com o Banco Master. A existência de contrato de advocacia, por si só, não constitui prova de irregularidade.
Como funcionava, segundo a investigação, o esquema do Banco Master?
A investigação da Polícia Federal aponta para um complexo sistema de operações financeiras que teria como uma das principais características a criação ou utilização de carteiras de crédito sem lastro compatível com os valores registrados.
A suspeita é que documentos, contratos, extratos, planilhas e procurações tenham sido utilizados para conferir aparência de legitimidade a operações que, em alguns casos, não teriam ocorrido da forma registrada.
Pessoas apontadas como clientes também teriam negado reconhecer empréstimos registrados em seus nomes.
O objetivo, segundo os investigadores, seria criar artificialmente ativos para melhorar a aparência financeira do banco e permitir a captação de recursos no mercado.
Um dos casos que chamou a atenção das autoridades envolve títulos antigos relacionados ao extinto Banco do Estado de Santa Catarina (Besc).
Segundo informações da investigação divulgadas anteriormente, ativos adquiridos por aproximadamente R$ 850 mil chegaram a ser registrados por valores superiores a R$ 10 bilhões.
O Banco Central também encontrou inconsistências em operações relacionadas a certificados de depósito bancário, os CDBs.
Os CDBs e a crise do Banco Master
O CDB é um investimento de renda fixa no qual o investidor empresta dinheiro à instituição financeira em troca de uma remuneração.
No caso do Banco Master, a instituição captou grandes volumes por meio desses títulos, oferecendo taxas de remuneração consideradas elevadas.
A investigação passou a questionar a capacidade financeira do banco de honrar integralmente suas obrigações e a qualidade dos ativos que serviam de lastro para parte das operações.
O Banco Central decretou, em 18 de novembro de 2025, a liquidação extrajudicial do Banco Master e de outras instituições do conglomerado.
Segundo o próprio Banco Central, a decisão foi motivada por grave crise de liquidez, comprometimento significativo da situação econômico-financeira e graves violações das normas que regulam o sistema financeiro.
Por que Vorcaro foi preso?
Daniel Vorcaro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos.
A prisão ocorreu na véspera da liquidação extrajudicial do conglomerado Banco Master.
Posteriormente, ele foi solto por decisão judicial.
Em março de 2026, Vorcaro voltou a ser preso preventivamente por determinação do ministro André Mendonça, no âmbito de uma nova fase da Operação Compliance Zero.
Segundo as decisões judiciais divulgadas pelo STF, a análise dos celulares apreendidos na investigação trouxe novos elementos sobre a atuação do grupo.
O STF também determinou a abertura de investigação para apurar o vazamento de mensagens extraídas dos aparelhos de Vorcaro. A Corte destacou que a investigação sobre os vazamentos deve identificar quem tinha o dever de preservar o sigilo das informações, sem atingir jornalistas que tenham obtido acesso ao material no exercício da profissão.
O que a PF investiga?
A investigação sobre o Banco Master se tornou mais ampla ao longo dos meses.
Entre as suspeitas estão:
- fraudes envolvendo carteiras de crédito e ativos;
- lavagem de dinheiro;
- possíveis atos de corrupção;
- acesso ou repasse indevido de informações sigilosas;
- possível interferência ou tentativa de interferência em investigações;
- monitoramento e intimidação de pessoas;
- possíveis ataques cibernéticos relacionados ao grupo investigado.
As autoridades ainda trabalham para estabelecer a responsabilidade individual de cada investigado.
E a delação de Vorcaro?
A defesa de Daniel Vorcaro procurou a Polícia Federal em março de 2026 para discutir a possibilidade de um acordo de colaboração premiada.
Uma primeira proposta teria sido rejeitada pela PF por não apresentar, na avaliação dos investigadores, informações suficientemente novas.
Posteriormente, uma segunda versão também teria sido recusada.
Vorcaro chegou a sinalizar disposição para devolver até R$ 60 bilhões, mas os investigadores levantaram dúvidas sobre a capacidade de comprovação de parte das informações apresentadas e sobre a existência de elementos inéditos que justificassem o acordo.
As negociações, segundo as informações divulgadas ao longo do caso, não resultaram até o momento em uma colaboração premiada homologada.
O que está em jogo agora?
A divulgação das mensagens coloca a relação entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes no centro de uma nova etapa do caso Banco Master.
O principal ponto de investigação é saber qual era a natureza dessa relação, quais assuntos eram tratados entre os dois, se houve compartilhamento indevido de informações sobre investigações e se alguma autoridade pública foi acionada para beneficiar o empresário.
Também estão sob análise os contratos envolvendo o Banco Master e o escritório da esposa de Moraes, além de pagamentos e negociações envolvendo ativos e serviços jurídicos.
O ministro Alexandre de Moraes ainda é alvo de questionamentos políticos e jurídicos em razão do conteúdo revelado. Ao mesmo tempo, é fundamental diferenciar fatos comprovados, informações constantes de relatórios policiais e suspeitas que ainda dependem de investigação.
O caso permanece sob análise do Supremo Tribunal Federal, com André Mendonça como relator de parte das investigações.
A PGR também deverá se manifestar sobre elementos apresentados pela Polícia Federal.
Enquanto novas informações são analisadas, o caso Banco Master passa a envolver não apenas suspeitas sobre fraudes no sistema financeiro, mas também questões relacionadas à relação entre empresários, autoridades públicas, contratos advocatícios e possível acesso privilegiado a informações de investigações.
Vorcaro diz a Moraes que tem ‘dívida de vida’ com ministro e agradece por ‘tudo’, aponta PF
Relatório da Polícia Federal(PF) aponta que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro disse ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes ter uma “dívida de vida” com ele e agradeceu por “tudo” em mensagem enviada no mesmo dia em que os dois trataram de um encontro marcado na casa do empresário.
Segundo o documento, a mensagem foi enviada por Vorcaro às 21h17 de 14 de novembro. Nela, Vorcaro escreveu:
“Estamos juntos sempre. Você sabe que tenho gratidão da minha vida a você. Toda minha família, funcionários, parceiros amigos que dependem de nós tem uma dívida de vida contigo e com sua família. Muito obrigado por tudo. Agora é continuar na pegada pra conseguir concluir, se Deus quiser.”
A conversa integra o conjunto de mensagens encontradas no celular de Vorcaro, apreendido pela PF no âmbito da Operação Compliance Zero.
A apuração continua.
Ricardo Lima / Esse texto foi gerado por inteligência artificial com base no conteúdo produzido pelos sites “Itatiaia, g1, Metropoles e UOL”. Todas as informações são apuradas pelo titular do BLOG o Radialista Ricardo Lima. O texto final também passou pela mesma revisão.
