A Confederação Brasileira de Futebol segue acelerando os debates para criar uma liga unificada que reúna clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro. A proposta, discutida em nova reunião realizada nesta segunda-feira (25), no Hotel Hilton da Barra Olímpica, no Rio de Janeiro, tem entre seus principais objetivos modernizar o futebol nacional, reorganizar os direitos de transmissão e melhorar a experiência do torcedor nas arquibancadas.
Participaram do encontro dirigentes de clubes das duas divisões, que deverão compor o modelo da futura liga a partir de 2030, quando se inicia um novo ciclo de negociação comercial e midiática do Brasileirão.
A CBF destacou que a criação de um ambiente unificado permitirá maior equilíbrio entre interesses de clubes, emissoras e plataformas, ao mesmo tempo em que viabiliza uma gestão mais eficiente dos produtos relacionados ao campeonato.
Padronização de horários vira pauta central:
Um dos temas prioritários do encontro foi a padronização dos horários das partidas do Brasileirão, tema que a CBF já vinha discutindo em reuniões anteriores. A proposta é aproximar o campeonato dos modelos adotados pelas grandes ligas europeias, como Premier League, Bundesliga e LaLiga, que trabalham com uma grade fixa de horários, fato que facilita o consumo por parte do torcedor e o planejamento das transmissões.
Atualmente, o cenário brasileiro é marcado pela fragmentação. Um levantamento interno da CBF revelou que, nas últimas temporadas, a Série A teve 55 diferentes combinações de dias e horários de jogos, enquanto a Série B registrou 81. A diversidade excessiva prejudica a previsibilidade da competição e influencia negativamente a presença do torcedor nos estádios.
Além disso, a divisão dos direitos de transmissão entre diferentes grupos de mídia consequência direta da disputa entre Libra e FFU, resulta em jogos marcados de acordo com interesses individuais das empresas, e não necessariamente com a conveniência do torcedor.
O efeito nas arquibancadas:
A CBF observa que horários como 19h e 21h30 durante a semana dificultam a chegada do torcedor aos estádios, especialmente nas grandes capitais, onde o trânsito e a logística são fatores críticos. O mesmo acontece com as partidas iniciadas aos domingos após as 20h, que registram queda significativa no público.
Levantamentos recentes apontam que:
• Nos dias úteis, jogos às 19h ou 21h30 têm média de público menor que os marcados para 19h30 ou 20h.
• Aos sábados, horários antes das 17h atraem mais torcedores.
• Aos domingos, há esvaziamento progressivo após as 17h.
A entidade entende que arquibancadas cheias valorizam o campeonato tanto comercialmente quanto no aspecto esportivo, melhorando a atmosfera das partidas e impulsionando receitas relacionadas, incluindo bilheteria, alimentação e experiências.
Mais jogos diurnos:
A ampliação dos jogos em horários diurnos, especialmente nos fins de semana, é uma das apostas da CBF. O horário das 11h, muito utilizado na Série A nos últimos anos, é visto como um produto de potencial internacional, já que se encaixa em janelas de transmissão na Europa e na Ásia.
Mesmo assim, a CBF ressalta que nenhuma mudança será definida sem ouvir os clubes. A ideia é construir um modelo que respeite as demandas de quem compete, especialmente considerando que boa parte das equipes da Série A também disputa competições continentais.
Série B como laboratório:
A Série B deverá ser o campo inicial de testes das propostas, especialmente durante a Copa do Mundo de 2026, período em que a Série A será paralisada, mas a segunda divisão seguirá em disputa, por decisão dos próprios clubes.
A CBF já trabalha com duas tabelas da Série B: uma para o período do Mundial e outra para depois. A principal preocupação será evitar coincidência entre os jogos da segunda divisão e as partidas da Seleção Brasileira na Copa, reservando janelas exclusivas para que a competição nacional não seja prejudicada.
Os dirigentes da Série B têm manifestado insatisfação com a atual distribuição de horários, especialmente quando partidas coincidem com jogos da Série A. A tendência é que, havendo choque, a divisão inferior perca visibilidade um dos problemas que a padronização busca corrigir.
Modernização estrutural:
A discussão sobre horários integra um pacote maior de modernização que a CBF pretende implementar. A entidade também trabalha em:
• melhorias na infraestrutura dos estádios
• qualificação dos gramados
• avanços na arbitragem
• ações para melhorar a experiência do torcedor
• maior profissionalização da gestão esportiva
O objetivo é aproximar o Brasileirão dos padrões das grandes ligas mundiais e torná-lo um produto mais atrativo para o mercado interno e externo, aumentando sua competitividade e potencial de receita.
A próxima reunião entre CBF e clubes deve acontecer nas próximas semanas e dará continuidade ao desenho institucional da futura liga unificada.
Ricardo Lima / Fontes: Redações – “Diário da Manhã e Máquina do Esporte”

