O esporte brasileiro vive um momento histórico. O goiano Luís Augusto Queiroz Miguel, o Guto Miguel, de apenas 17 anos, conquistou neste sábado (7) o título juvenil de Roland Garros e se tornou o primeiro brasileiro campeão da chave de simples masculina do Grand Slam francês.
Número 1 do ranking mundial juvenil e principal cabeça de chave do torneio, Guto confirmou o favoritismo e escreveu seu nome definitivamente na história do tênis nacional ao derrotar o norte-americano Michael Antonius na grande final disputada em Paris.
A conquista encerra uma espera de quase seis décadas para o Brasil. Desde a criação da competição juvenil em Roland Garros, nomes importantes como Edison Mandarino, Thomaz Koch e Luís Felipe Tavares chegaram à decisão, mas nenhum havia conseguido levantar o troféu. Agora, esse feito histórico pertence a um jovem talento nascido em Goiás.
Natural de Goianésia, Guto Miguel é apontado há alguns anos como uma das maiores promessas do tênis brasileiro. A campanha em Roland Garros apenas confirmou o enorme potencial do atleta, que já vinha acumulando resultados expressivos no circuito juvenil internacional.
Para chegar ao título, o goiano superou adversários de alto nível e garantiu vaga na final após vencer o compatriota Leonardo Storck em uma semifinal totalmente brasileira. Antes da decisão, Guto revelou que conquistar Roland Garros era um sonho cultivado desde o início da temporada.
“Desde o começo do ano, Roland Garros era um objetivo e um sonho”, afirmou o jovem tenista.
A trajetória do campeão impressiona pela maturidade e pelos resultados. Nascido em fevereiro de 2009, quando Gustavo Kuerten já havia encerrado a carreira profissional, Guto deixou Goiânia aos 13 anos para buscar desenvolvimento técnico em Brasília, onde vive atualmente.
Irmão do também tenista Luís Felipe Miguel, cinco anos mais velho, ele cresceu cercado pelo esporte e rapidamente chamou a atenção de treinadores e especialistas. Em seu perfil juvenil, apontava como ídolos Roger Federer e Novak Djokovic, além de destacar a família como seu principal refúgio fora das quadras.
Nos últimos dois anos, sua evolução foi meteórica. Vieram títulos importantes na Colômbia, Bélgica, Canadá e México, além da semifinal do US Open juvenil e dos primeiros pontos conquistados no ranking profissional da ATP.
O saibro, tradicional superfície de Roland Garros, sempre foi apontado como seu piso favorito. E foi justamente na terra batida de Paris que o jovem goiano alcançou o maior triunfo da carreira.
Após receber o troféu, Guto agradeceu à equipe, aos familiares e aos amigos que o acompanharam na caminhada até o título. Ao encerrar o discurso, fez questão de celebrar suas origens e o país que representa.
“Vai Brasil!”, gritou diante do público francês.
Mesmo após a conquista histórica, o jovem demonstrou os pés no chão e maturidade ao analisar o momento da carreira.
“Estou colhendo alguns frutos agora, mas sei que ainda é apenas o começo. É um torneio juvenil, sou o número 1 do ranking, mas existe muito ainda pela frente na minha carreira profissional”, destacou.
A conquista inevitavelmente remete à trajetória de Gustavo Kuerten, o maior nome da história do tênis brasileiro. Guga conquistou Roland Garros três vezes na categoria profissional, em 1997, 2000 e 2001, além de ter sido campeão juvenil de duplas em 1994. Agora, mais de duas décadas depois, um jovem goiano surge como uma das maiores esperanças do esporte nacional.
A repercussão da conquista ultrapassou as quadras. Em suas redes sociais, o Prefeito de Trindade, Marden Júnior, parabenizou o atleta pelo feito histórico.
“Parabéns, Guto Miguel! Uma conquista histórica que enche Goiás e o Brasil de orgulho. Seu talento, dedicação e perseverança estão inspirando uma geração inteira. Que essa vitória em Roland Garros Juvenil seja apenas o início de uma carreira extraordinária.”
A vitória de Guto Miguel representa muito mais do que um título. Ela simboliza o surgimento de uma nova estrela do esporte brasileiro e coloca Goiás, mais uma vez, em evidência no cenário internacional. Aos 17 anos, o jovem de Goianésia já entrou para a história e mostrou que o futuro do tênis brasileiro pode estar em excelentes mãos.
Ricardo Lima / Fonte: Redação “Diário de Goiás”.


